A música O Bêbado e o equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, interpretada por Elis Regina, foi composta durante um dos períodos mais conturbados da história do Brasil: a ditadura.
Em 1972 , o governo militar organizou um show em homenagem ao Sesquicentenário da Independência. Por causa disto. A participação de Elis nesse evento acabou levando-a ao "cemitério dos mortos-vivos", famosa seção de quadrinhos que o cartunista Henfil mantinha no Pasquim. Para desancar as personalidades que de alguma forma aderiam ao regime, Henfil promovia o enterro delas no jornal. Outros mortos-vivos enterrados pelo cartunista foram Marília Pêra, Clarice Lispector, Carlos Drummomd de Andrade, Tarcísio Meira e Glória Menezes.
Cinco anos mais tarde, ela e o cartunista se tornaram grandes amigos. Convidada por Henfil, Elis aderiu à campanha pela anistia, principalmente pela volta de Betinho, irmão do amigo. A adesão dela foi representada pela canção O Bêbado e a Equilibrista,gravada em 1979. No trecho, “meu Brasil que sonha com a volta do irmão do Henfil/ com tanta gente que partiu Brasil” o apelo é explícito.A música contém uma mensagem de esperança e otimismo ao povo brasileiro, evidenciado na última estrofe. Essas duas características sempre fizeram parte do repertório de Elis Regina, desejando uma situação melhor para seu país.
O movimento pela anistia deu resultado, e em 1979, com a ditadura já enfraquecida, foi promulgada a Lei da Anistia. Seis anos mais tarde, em 1985, o regime militar chegava ao fim, era iniciada uma nova era na política brasileira. Mas Elis não chegou a presenciar esse momento, pois morreu no dia 19 de janeiro de 1982.
O Bêbado e a Equilibrista
Elis Regina
Composição: João Bosco e Aldir blanc
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...
A luaTal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens!Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.Meu Brasil!...
Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de fogueteChora!
A nossa PátriaMãe gentil
Choram MariasE Clarisses
No solo do Brasil...
Mas sei, que uma dorAssim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...
Dança na corda bambaDe sombrinha
E em cada passoDessa linha
Pode se machucar...Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o showDe todo artista
Tem que continuar...
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